Em meados da década de 1950, o cinema de animação enfrentava uma barreira técnica que incomodava Walt Disney: a falta de perspectiva. A bidimensionalidade dos desenhos era uma limitação estética que impedia a imersão completa do espectador. Se a câmera se aproximasse de um cenário tradicional, todos os elementos cresciam na mesma proporção, ignorando a física da visão humana, em que objetos próximos se deslocam mais rapidamente que o horizonte.

A solução surgiu com a criação da câmera multiplano. O equipamento, uma proeza da engenharia mecânica da época, dividia o quadro em diversas camadas de vidro posicionadas em diferentes níveis de profundidade. Ao mover essas camadas de forma independente durante a captura, a equipe de Disney conseguia reproduzir o efeito de paralaxe, conferindo uma tridimensionalidade inédita aos cenários e personagens.

Embora hoje o CGI torne a criação de profundidade um processo computacional quase trivial, a câmera multiplano era um trabalho puramente artesanal. Cada segundo de filme exigia a fotografia manual de 24 quadros, um esforço hercúleo que unia arte e precisão técnica. Mais do que um avanço visual, o invento de Disney foi um prenúncio da busca incessante do cinema por tecnologias que mimetizem a complexidade do olhar humano.

Com informações de Xataka.

Fonte · Xataka