Em sua nova obra, "Maintenance: Of Everything, Part One", o ícone da indústria de tecnologia Stewart Brand propõe uma reflexão profunda sobre a importância civilizacional da manutenção. Brand, conhecido por sua influência tanto na contracultura quanto na cibercultura, argumenta que a conservação e o reparo de ferramentas e sistemas impactam diretamente nossa vida cotidiana. Sua premissa é que "assumir a responsabilidade pela manutenção de algo – seja uma motocicleta, um monumento ou o nosso planeta – pode ser um ato radical."
Ainda que o primeiro volume não detalhe o caráter "radical" desse ato, Brand sinaliza que seu objetivo final é reconhecer a natureza dos mantenedores e a honra que lhes é devida. Essa perspectiva pode surpreender, dado que o trabalho de manutenção e reparo é, historicamente, subvalorizado em comparação com a "inovação". É um debate acadêmico crescente desde meados da década de 2010, impulsionado por movimentos como o "The Maintainers", uma rede global interdisciplinar dedicada ao estudo do reparo, cuidado e todo o trabalho que sustenta o mundo.
A negligência com a manutenção é um problema recorrente em diversos contextos sociais e organizacionais. No entanto, Brand e outros estudiosos contemporâneos defendem que lubrificar ferramentas, substituir peças desgastadas ou atualizar códigos-fonte são atividades de valor inestimável. A valorização desses profissionais e suas práticas é crucial para a sustentabilidade e resiliência de nossa infraestrutura tecnológica e social.
Com informações de MIT Technology Review.
Fonte · MIT Technology Review



