Josefin Olevik, em relato ao jornal sueco *Dagens Nyheter*, descreve a rotina de seu pai como uma versão moderna e melancólica de Dom Quixote. Diagnosticado com demência, ele teve o acesso a um asilo negado. Em vez do suporte humano constante e especializado, o Estado sueco implementou uma solução de baixo custo: a instalação de câmeras de vigilância e sistemas de alto-falantes em sua residência para monitorar movimentos e emitir alertas automáticos.
O caso ilustra uma tendência crescente em nações que enfrentam crises demográficas: a automação do cuidado. Sob o pretexto de preservar a autonomia do idoso, a infraestrutura da Internet das Coisas (IoT) é mobilizada para otimizar gastos públicos. No entanto, o que se observa na prática é um isolamento vigiado, onde a métrica de eficiência por "coroa de imposto" parece sobrepor-se à dignidade e às necessidades emocionais do paciente.
A tecnologia, que em outros contextos amplia capacidades, aqui atua como um paliativo para a escassez de cuidadores. Enquanto sistemas digitais monitoram o "quixote" moderno em seu labirinto doméstico, a lacuna deixada pela ausência de contato humano torna-se o maior sintoma de um futuro onde a assistência é terceirizada para algoritmos e sensores.
Com informações de Dagens Nyheter.
Fonte · Dagens Nyheter



