""Em momentos de turbulência econômica, a aversão ao risco costuma dominar o mercado financeiro. No entanto, uma análise aprofundada da JGP, gestora brasileira de investimentos, revela uma dinâmica contraintuitiva no cenário do crédito privado nacional: os maiores retornos são colhidos justamente quando "há sangue nas ruas", ou seja, em períodos de crise e incerteza.

Utilizando seu índice proprietário, o IDEX, que acompanha as debêntures mais líquidas desde 2017, a JGP demonstrou que investidores que aplicaram em momentos de estresse — como após os defaults de Americanas e Light — alcançaram spreads médios de 4,37% acima do CDI. Em contraste, quem investiu em períodos de euforia, com spreads mais baixos, obteve rendimentos ligeiramente inferiores ao CDI. Essa performance sublinha a máxima de que "o ponto do ciclo importa", conforme apontado por Alexandre Muller, CIO da JGP Crédito.

Atualmente, o mercado apresenta spreads atrativos, com uma média de 1,9% acima do CDI, impulsionados por eventos recentes como o default da Ambipar e as recuperações extrajudiciais de Raízen e Pão de Açúcar. Contudo, apesar do cenário favorável para retornos elevados, o comportamento do investidor tem sido de retirada. Entre fevereiro e abril de 2024, fundos com mais de 50% da carteira em crédito privado registraram resgates líquidos de R$ 42 bilhões — um padrão similar a 2023, quando R$ 51 bilhões foram resgatados após os episódios de Americanas e Light.

Essa dicotomia entre as oportunidades de mercado e a postura cautelosa dos investidores realça um paradoxo. Embora o crédito privado, especialmente em debêntures de maior liquidez, demonstre a capacidade de oferecer retornos robustos em cenários adversos, a tendência de fuga do risco impede que muitos capturem essas valorizações, mesmo diante dos prejuízos já contabilizados por reestruturações e defaults passados. O desafio, portanto, reside em alinhar a estratégia de investimento à inteligência do ciclo de mercado, um movimento que poucos parecem dispostos a fazer. Com informações de Brasil Journal Tech.""

Fonte · Brasil Journal Tech