A fronteira entre o inanimado e o biológico acaba de ficar um pouco mais tênue. Pesquisadores da Universidade de Amsterdã publicaram na revista *Nature* um estudo sobre metamateriais — estruturas projetadas para ter propriedades que não existem na natureza — capazes de "aprender" e adaptar sua forma de maneira autônoma. Diferente de robôs convencionais, esses materiais não dependem de um cérebro centralizado para ditar cada movimento.
A estrutura assemelha-se a um verme robótico, composto por segmentos unidos por dobradiças motorizadas. Cada módulo possui seu próprio microcontrolador e sensores que registram rotações e movimentos passados, criando uma espécie de memória local. Ao trocar informações com as dobradiças vizinhas, o material ajusta sua rigidez e posição coletiva, permitindo que o sistema como um todo evolua para formas mais eficientes de locomoção ou sustentação.
O grande salto desta pesquisa reside na descentralização da inteligência. Em vez de um software complexo processando dados externamente, a capacidade de aprendizado está embutida na própria arquitetura do material. Através de impulsos enviados pelos pesquisadores durante a fase de treinamento, os segmentos aprendem a coordenar forças para atingir posturas específicas, mimetizando o comportamento de sistemas vivos simples.
Essa inovação abre caminho para uma nova geração de infraestruturas e dispositivos que podem se autorreparar ou se adaptar a ambientes hostis sem intervenção humana. Ao transformar a física em uma forma rudimentar de cognição, a ciência começa a tratar objetos inanimados não apenas como ferramentas estáticas, mas como agentes capazes de evolução funcional.
Com informações de Xataka.
Fonte · Xataka



