Durante quase meio século, o gene KRAS foi o "santo graal" e, simultaneamente, o pesadelo da oncologia molecular. Responsável por impulsionar alguns dos tumores mais letais, como o de pâncreas, a proteína resultante dessa mutação era apelidada de "bola de graxa" devido à sua superfície lisa, que impedia a ancoragem de qualquer fármaco. Para pacientes como Leanna Stokes, de 36 anos, o diagnóstico de câncer de pâncreas metastático vinha acompanhado dessa sigla onipresente, que sinalizava tanto a agressividade da doença quanto a única fresta de esperança.

A barreira do "inalcançável" começou a ruir quando o bioquímico Kevan Shokat, da Universidade da Califórnia em San Francisco, descobriu como atingir uma variante específica do KRAS. No entanto, o entusiasmo inicial deu lugar a uma realidade sóbria: a primeira geração de medicamentos entregou resultados clínicos modestos. Para o pequeno grupo de pacientes que pôde utilizá-los, o ganho de sobrevida foi marginal, e a resistência tumoral surgiu com uma rapidez frustrante.

Atualmente, a biotecnologia vive uma corrida frenética para refinar essas moléculas e ir além do primeiro esforço. O objetivo é transformar o tratamento do câncer de pâncreas de uma sucessão de quimioterapias paliativas em uma medicina de precisão que realmente altere o desfecho da doença. Após 50 anos de tentativas e erros, a ciência finalmente parece estar encurralando o alvo que antes parecia invisível aos medicamentos.

Com informações de STAT News.

Fonte · STAT News (Biotech)