Durante décadas, a marcha do progresso tecnológico seguiu uma lógica de convergência: o smartphone deveria ser o destino final de todas as ferramentas, absorvendo o walkman, a câmera compacta e o console portátil. No entanto, em um movimento que desafia o utilitarismo, a Geração Z está resgatando "relíquias" que pareciam destinadas ao esquecimento. Câmeras digitais de baixa resolução, fones de ouvido com fio e fitas cassete voltaram a circular não como sucata, mas como objetos de desejo em vitrines de segunda mão e vídeos no TikTok.
Essa tendência, curiosamente protagonizada por jovens que não testemunharam o auge comercial desses dispositivos, vai além do simples colecionismo. O sociólogo Álvaro Soler define o fenômeno como uma "retro-utopia": uma visão idealizada do passado que mercantiliza estéticas de eras anteriores. Influenciada por produções culturais como *Stranger Things*, essa geração consome o "atraso" tecnológico como uma forma de diferenciação em meio à onipresença da inteligência artificial e da realidade virtual.
Mais do que nostalgia por algo que não viveram, o apego ao analógico — ou ao digital arcaico — sugere um cansaço da perfeição sem atrito das plataformas modernas. O granulado de uma foto de 2005 ou o ritual de desenrolar um cabo de fone oferecem uma experiência tátil e imperfeita que o software, por mais avançado que seja, ainda não consegue emular plenamente. Para a "Viagem pro Futuro", o paradoxo é claro: o amanhã, às vezes, parece mais interessante quando visto através de uma lente de vinte anos atrás.
Com informações de Xataka.
Fonte · Xataka



