O Monte Everest deixou de ser um desafio reservado apenas a alpinistas de elite para se tornar, nos últimos anos, um cenário de luxo e ostentação digital. Com barracas de alto padrão e camas confortáveis tornando-se o novo normal no acampamento base, a montanha mais alta do mundo enfrenta uma crise de identidade — e de segurança — alimentada pelo turismo de massa.

Diante do aumento de "turistas de altitude" e influenciadores digitais sem experiência técnica, o governo do Nepal apresentou um projeto de lei rigoroso para retomar o controle das encostas. A proposta estabelece um critério técnico claro: antes de tentar os 8.848 metros do Everest, o montanhista deve comprovar ter escalado com sucesso pelo menos um pico de 7.000 metros em território nepalês.

A medida visa restaurar o rigor técnico necessário para a atividade e reduzir o número de resgates e fatalidades evitáveis causadas pelo despreparo. Se aprovada, a norma deve transformar a economia do turismo local, priorizando a competência técnica em detrimento do poder aquisitivo, em um esforço tardio para preservar o que resta da mística do "Teto do Mundo".

Com informações de Dagens Nyheter.

Fonte · Dagens Nyheter