O que antes era uma preocupação concentrada no Ártico agora assombra o sul global com força total. A Antártida, outrora vista como um bastião de estabilidade climática, atravessa uma transformação radical e acelerada. Um estudo financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) revela que a região perdeu uma área de gelo sazonal equivalente ao tamanho da Groenlândia em um intervalo de tempo alarmantemente curto, desafiando previsões anteriores.
A mudança não é apenas geográfica; ela atinge o coração da vida oceânica. A base da cadeia alimentar, composta fundamentalmente pelo plâncton, está sob ameaça direta pela redução da cobertura de gelo marinho. O fenômeno altera a dinâmica do Oceano Austral, forçando pesquisadores a admitirem que não estamos diante de uma oscilação climática temporária, mas sim do início irreversível de uma "era de baixo gelo".
Dada a hostilidade do terreno e a velocidade dos eventos — especialmente o colapso registrado entre 2016 e 2017 —, a ciência precisou recorrer ao monitoramento orbital. Liderada pelo Plymouth Marine Laboratory, no Reino Unido, a investigação utilizou tecnologia de satélite para preencher as lacunas que o trabalho de campo não conseguia alcançar. O cenário desenhado é um alerta sobre a fragilidade de ecossistemas que, até pouco tempo atrás, eram considerados imutáveis.
Com informações de Olhar Digital.
Fonte · Olhar Digital



