A onipresença do controle remoto em nossas vidas — do portão da garagem ao ajuste fino da iluminação inteligente — costuma ser associada à ascensão da televisão na segunda metade do século XX. No entanto, a gênese da operação à distância é muito mais antiga e analógica. Em 1903, o engenheiro e matemático espanhol Leonardo Torres Quevedo patenteou o Telekino, um sistema que permitia executar comandos via ondas hertzianas sem a necessidade de cabos.
Diferente dos dispositivos ergonômicos que cabem na palma da mão, o Telekino original era uma estrutura robusta que ocupava uma mesa inteira. Torres Quevedo, um polímata à frente de seu tempo, não buscava facilitar o "zapping" entre canais, mas sim desbravar as fronteiras da telegrafia sem fios e da automação. Sua invenção foi testada com sucesso no porto de Bilbao, onde ele conseguiu manobrar um bote à distância, um feito que ecoa hoje na tecnologia de drones e na robótica moderna.
A trajetória de Torres Quevedo exemplifica um fenômeno comum na história da inovação: o descompasso entre a invenção e a sua utilidade comercial em larga escala. Enquanto o Telekino estabelecia as bases da teleoperação no início do século passado, o mundo precisaria esperar mais algumas décadas para que a miniaturização dos componentes e a popularização dos televisores transformassem sua ideia em um item doméstico essencial.
Com informações de Xataka.
Fonte · Xataka



