A Conferência de Santa Marta, na Colômbia, nasceu com a ambição de ser o epicentro de uma nova geopolítica verde para a Pan-Amazônia. No entanto, o que se viu foi um cenário de cadeiras vazias e um silêncio diplomático ensurdecedor. O esvaziamento do evento reflete a dificuldade de alinhar os interesses de nações que, embora compartilhem o maior bioma tropical do mundo, divergem profundamente sobre o ritmo da descarbonização e o futuro da matriz energética regional.

O cerne do impasse reside na dependência econômica do petróleo. Enquanto a Colômbia, sob a gestão de Gustavo Petro, tenta liderar um movimento pelo fim da exploração fóssil, vizinhos como Brasil e Guiana enfrentam o dilema de abrir mão de receitas bilionárias em nome de uma transição energética ainda incerta. A ausência de representantes de alto escalão na conferência sinaliza que a pauta ambiental, por ora, perde a queda de braço para a segurança fiscal e o desenvolvimento extrativista.

Este distanciamento evidencia a fragilidade de uma governança regional integrada. Sem um plano concreto que ofereça alternativas econômicas viáveis à exploração de hidrocarbonetos, a Pan-Amazônia corre o risco de permanecer um mosaico de interesses isolados, incapaz de ditar as regras do jogo climático global. O episódio em Santa Marta é um lembrete de que, na política real, o "ouro negro" ainda pesa mais que o verde da floresta.

Com informações de Exame Inovação.

Fonte · Exame Inovação