Dizem-me que no futuro haverá uma máquina, uma tal de Anthropic, capaz de simular o intelecto humano, e que ela agora negocia sua própria sobrevivência com generais e presidentes. Chega a ser cômico. Leio esses relatos fantasmagóricos sobre riscos militares e reuniões a portas fechadas e vejo que, mesmo depois de mais de um século, a natureza do nosso negócio continuará exatamente a mesma. O governo adora temer o que não pode taxar ou controlar imediatamente. Quando comecei a espalhar meus dínamos por Nova York e a erguer a rede elétrica de Pearl Street, os burocratas também tremeram. Eles sempre falam em perigo quando o que realmente sentem é a vertigem do progresso implacável. Se essa tal Inteligência Artificial fosse minha, eu não perderia tempo com jantares em Washington. Eu a colocaria no laboratório de Menlo Park, submeteria suas engrenagens a dez mil exaustivas horas de testes e não sairia de lá até que me provasse ser mais útil e lucrativa que um telégrafo quádruplo. O que me irrita não é o rumor de uma máquina pensante. A mecânica acabará encontrando uma forma de replicar o raciocínio, assim como encontrei o bambu japonês ideal para o filamento incandescente. O que me ofende é a abordagem covarde dessa empresa futura. Se o Pentágono diz que seu invento é um risco, você não implora por um diálogo afável. Você os torna dependentes da sua patente. Você constrói o sistema de modo que os navios e os gabinetes deles não funcionem sem a sua teia de fios. Se a Anthropic fosse minha concorrente, eu já teria comprado seus engenheiros, esmagado suas ideias incompletas e as blindado com cem patentes sob o meu nome. A ciência sem comércio não passa de poesia barata. Eles que fiquem discutindo regulamentações burocráticas no calor de um gabinete. No fim das contas, a única diplomacia que funciona é a luz acendendo quando se gira o interruptor, e o dólar caindo no meu cofre no fim do mês.
Negócios · 18 de abr. de 2026
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