A geopolítica europeia vive sob a constante tensão dos movimentos pendulares. Se recentemente Bruxelas e Kiev respiraram aliviadas com os reveses políticos de Viktor Orbán na Hungria, o otimismo parece ter data de validade. No próximo domingo, a Bulgária vai às urnas com a perspectiva real de consolidar um governo cujas simpatias por Moscou não são apenas retóricas, mas plataforma central de campanha.
Liderando as pesquisas de intenção de voto, o candidato de inclinação pró-Rússia resgata o manual de estilo que tornou Orbán uma pedra no sapato da União Europeia. A ascensão desse "novo Orbán" nos Bálcãs representa mais do que uma troca de guarda doméstica; é o fortalecimento de uma dissidência interna que questiona abertamente o apoio militar e financeiro à Ucrânia, justamente em um momento de fadiga diplomática.
Para o bloco europeu, o cenário búlgaro é um lembrete de que a coesão continental é frágil e dependente de equilíbrios locais delicados. Caso a vitória se confirme, o esforço para manter uma frente unida contra a invasão russa ganhará uma rachadura significativa, transformando a Bulgária em um novo entreposto de resistência às diretrizes de segurança de Bruxelas.
Com informações de Dagens Nyheter.
Fonte · Dagens Nyheter



