A ironia da construção civil global é que, em um planeta coberto por desertos, falta areia. O concreto tradicional exige areia de rio, cujos grãos angulares permitem a aderência necessária para a estabilidade estrutural. Já a areia do deserto, moldada milenarmente pelo vento, é excessivamente fina e arredondada, o que a tornava, até então, um recurso inútil para erguer edifícios.

Para romper esse impasse, pesquisadores das universidades de Tóquio e da Noruega apresentaram o "Botanical Sandcrete". A inovação propõe substituir o cimento convencional por uma mistura de areia do deserto e resíduos vegetais, como a serragem. O segredo não reside em uma reação química de cura lenta, mas em um processo de prensagem a quente, que atua como uma espécie de "sanduicheira gigante" industrial para fundir os componentes.

O material aproveita a lignina — um polímero orgânico que dá rigidez às plantas — para criar a liga necessária entre os grãos de areia antes descartados. Além de oferecer uma saída para a escassez de recursos minerais, a técnica promove a economia circular ao dar utilidade a detritos da indústria madeireira. É um avanço promissor para reduzir a dependência global da extração predatória em leitos de rios, um dos grandes gargalos ambientais da atualidade.

Com informações de Xataka.

Fonte · Xataka